PERDA AUDITIVA

Como ouvimos?

Os sons são captados pela orelha externa e conduzidos até a membrana timpânica. O tímpano e os ossículos (martelo, bigorna e estribo) entram em vibração e transmitem o som para a cóclea.
A cóclea é a responsável por conduzir os sons até o nervo auditivo. É na cóclea que os sons recebem a sua primeira análise, mas a mensagem só será compreendida quando chegar ao cérebro, no lobo temporal.
As duas orelhas são importantes para a compreensão da informação auditiva. Quando o som é percebido e enviado ao cérebro pelas duas orelhas, a mensagem será entendida com maior clareza.
 

Tipos e Graus

A perda auditiva pode ser classificada conforme o tipo e o grau. Essas informações são importantes e interferem na conduta do otorrinolaringologista e da fonoaudióloga na escolha do aparelho auditivo, mais adequado a cada caso

Perda auditiva condutiva:

Relacionada a alterações nas orelhas externa e/ou média, como nos casos de excesso de cerúmen e infecções. Geralmente são transitórias e tratadas pelo médico otorrinolaringologista, mas em casos de indicação para o uso de aparelho auditivo tem excelente adaptação, pois as células sensoriais da cóclea estão integras.

 
Perda auditiva neurossensorial:

Relacionada a alterações na cóclea e/ou nervo auditivo, comumente encontradas em trabalhadores expostos a ruído e idosos. Nestes casos, a perda auditiva é permanente e não é possível recuperar com outros tratamentos, pois existe lesão das células sensoriais.  A indicação para o uso dos aparelhos auditivos varia conforme o grau.
 
Perda auditiva mista:

Observa-se alteração combinada nas orelhas externa/média e cóclea/nervo auditivo. Também pode ser tratada pelo médico otorrinolaringologista, mas geralmente mantém a indicação para uso de aparelhos auditivos, em virtude do dano das células sensoriais.
 

Graus de perda auditiva:



A audiometria e os potenciais evocados auditivos medem o nível de audição em decibéls (dB).
A audição é considerada normal quando o resultado do exame apresentar respostas até 25 dB para adultos e 15 dB para crianças até 7 anos.
 

Perda auditiva de grau leve



O nível de audição varia entre 26 dB e 40 dB. Apresenta dificuldade para compreender a fala em ambientes ruidosos ou em conversas em grupos. A queixa comum é “escuto, mas não entendo”.
 

Perda auditiva de grau moderado



O nível de audição varia entre 41 dB e 55 dB. Não escuta bem a maior parte dos sons de fala e já apresenta dificuldade para compreender a fala mesmo em ambientes silenciosos. Tem dificuldades ao telefone e assiste a televisão em volume mais alto. Necessita o uso de aparelhos auditivos para melhorar sua comunicação.
 

Perda auditiva de grau moderadamente severo



O nível de audição varia entre 56 dB e 70 dB. Os estímulos sonoros precisam ser muito altos para serem ouvidos. Observa-se isolamento social, por não conseguir ouvir as conversas em grupos. Aparelhos auditivos ajudam no desempenho social.
 

Perda auditiva de grau severo



O nível de audição varia entre 71 dB e 90 dB. Não ouve os sons da fala em quase todas as situações e é importante o apoio da leitura labial. Necessita de aparelhos auditivos para manter a conversação.
 

Perda auditiva de grau profundo





O nível de audição está acima de 90 dB. Não ouve nenhum som sem auxílio de aparelhos auditivos ou implante coclear.
 

Causas de perda auditiva



A perda auditiva pode estar relacionada com diversos fatores. Confira as causas mais encontradas atualmente:

Perda auditiva induzida pelo ruído:

A exposição a ruídos acima de 80 dB por oito horas durante o dia pode causar perda auditiva. Quanto maior o ruído, menor é o tempo de exposição permitido.
Em geral, a perda auditiva se instala de forma lenta e definitiva. Os primeiros sinais são a percepção do zumbido e a dificuldade de compreensão de fala em ambientes ruidosos.
Trabalhadores expostos a ruído excessivo devem fazer exames auditivos periódicos para acompanhamento e usar efetivamente os equipamentos de proteção individual (EPI).

Presbiacusia:

É a diminuição da audição relacionada ao envelhecimento. Inicia a partir da 5° década de vida e progride lentamente. Provoca dificuldades de comunicação e consequentemente isolamento social e depressão.
Os primeiros sinais são a dificuldade para entender a fala, a necessidade de solicitar repetição do que lhe foi dito, assistir televisão em volume alto e dificuldade para falar ao telefone.

Otites:

As infecções na orelha externa e/ou média estão entre as causas mais comuns de déficit auditivo temporário e se não forem bem tratadas podem provocar perdas auditivas permanentes. Atinge principalmente as crianças até três anos e estão relacionadas a sistema imunológico enfraquecido e alergias respiratórias.
O Otorrinolaringologista é o médico responsável pelo tratamento das otites. Conforme a evolução do caso, o uso de aparelhos auditivos pode ser indicado.
As primeiras queixas são dor de ouvido, sensação de ouvido tapado, zumbido e vazamentos. A pessoa pode parecer desatenta e distraída, principalmente as crianças.

Permanência em UTI neonatal:

Crianças prematuras que permanecem em UTI neonatal por mais de cinco dias tem maior probabilidade de desenvolver uma perda auditiva do que outras crianças. A cada 1000 nascidos, 3 a 6 terão perda auditiva permanente.
Na UTI, o bebê recebe inúmeros tratamentos para a manutenção da vida, e muitos deles são fatores de risco para lesões na orelha interna, como o uso de antibióticos, diuréticos e ventilação mecânica.
 Além disso, consideram-se indicadores de risco o baixo peso ao nascimento (<1500g), índice de apgar de 0 a 4 no 1° minuto e 0 a 6 no 5° minuto e hiperbilirrubinemia com necessidade de exsanguíneo transfusão.
Para prevenir as perdas auditivas na infância, o acompanhamento pré-natal é fundamental. Se o se filho apresenta algum dos indicadores de risco acima, o teste da Orelhinha e o monitoramento audiológico até os 3 anos é imprescindível para garantir a audibilidade da criança.