Ouvir bem é viver melhor (em qualquer idade!)



Ouvir bem é viver melhor - em qualquer idade!
- 26 de Julho: Dia dos avós -
 
          A terceira idade é um período em que as pessoas estão suscetíveis a alterações na sua qualidade de vida, muitas vezes devido a diminuição de energia física pelo avanço da idade ou por déficits sensoriais auditivos e visuais. Tais modificações podem trazer prejuízos importantes na pessoa acima de 50 anos, tanto na comunicação quanto na coleta de informações necessárias a integridade cerebral, bem como podem impedir que a pessoa se mantenha ativa na sociedade. Em função destas alterações a pessoa necessita estar constantemente se adaptando as modificações provenientes da terceira idade, buscando entrar em equilíbrio consigo mesmo, com a família e com a sociedade.
            A questão do envelhecimento da população é urgente; no Brasil as pessoas com 60 anos já representam 13% da população (Pnad/IBGE, 2013) e, segundo estimativas da OMS, os idosos serão 30% no ano de 2050. O desafio neste cenário é construir um mundo mais preparado para envelhecer e valorizar o idoso em toda a sua potência de vida.
          A perda da audição no idoso é um dos problemas mais recorrentes e mais devastadores, uma vez que afeta diretamente sua comunicação. Segundo especialistas, muitas pessoas já experimentam algum grau de perda da audição a partir dos 40 anos, por causa do envelhecimento. O processo é diferente em cada um, mas aproximadamente 1 em cada 10 pessoas nesta faixa etária tem dificuldade para ouvir. Depois dos 65 anos, a perda auditiva tende a ser mais severa. Entre os principais fatores que causam a diminuição da capacidade de ouvir com a idade estão a hereditariedade e a exposição frequente a ruídos altos ao longo da vida. Esta perda de audição também pode ser acompanhada de zumbido, vertigem e/ou desequilíbrio.
           A dificuldade de ouvir gera problemas de comunicação, acarretando situações constrangedoras na família e no dia-a-dia em sociedade, o que leva a pessoa ao isolamento social progressivo e à depressão. Também é muito usual ver familiares erroneamente descreverem o idoso portador de deficiência auditiva como alguém confuso, desorientado, distraído, não colaborador e zangado.
           Por isso, quanto antes for detectado e tratado o problema auditivo maior é a chance do indivíduo manter a integridade de sua comunicação e de suas funções cognitivas (atenção, memória e produtividade), mantendo o idoso numa condição familiar e social de plena integração.
           Buscando a melhora na qualidade de vida e nos padrões sociais da pessoa na terça idade, uma avaliação auditiva é de fundamental importância. E quando detectado um déficit auditivo é necessário a utilização de aparelhos auditivos - esta é a melhor forma de manter a pessoa em plenas condições de comunicação. Muitos idosos são resistentes quanto ao uso de aparelhos, alguns por não aceitação da deficiência auditiva e outros devido à falta de interesse em adaptar-se aos cuidados requisitados pela prótese. Para quebrar esses paradigmas é de grande importância buscar orientações e informações sobre o uso de aparelhos auditivos e seus benefícios com um profissional Fonoaudiólogo capacitado.
          Para o sucesso da adaptação de aparelhos auditivos diversos fatores devem ser levados em conta, como: tipo de perda auditiva, grau de perda auditiva, capacidade de reconhecimento de fala, motivação do paciente, dentre outros. Atualmente o mercado proporciona uma vasta opção de aparelhos auditivos, sejam eles quase imperceptíveis (intracanais) ou de adaptação através de moldes ou tubos finos (retroauriculares). A escolha do modelo mais adequado é realizada somente por um fonoaudiólogo especializado que analisa os resultados da avaliação auditiva e as necessidades diárias do usuário, bem como a destreza e capacidade de manipulação das próteses. Em caso de perda auditiva bilateral o recomendado é sempre o uso de aparelhos em ambas as orelhas, a fim de proporcionar melhor qualidade auditiva, excelente localização de fonte sonora e melhora na compreensão da fala.
       Aparelhos auditivos de boa qualidade devem possuir regulagem específicas, sendo digitalmente programado e com múltiplas memórias, para que o mesmo fique acusticamente confortável para o paciente (evitando que o som fique muito intenso). Com o avanço da tecnologia os usuários de aparelhos auditivos se beneficiaram em diversos aspectos, uma vez que as próteses atuais permitem diversas opções de programas, cada um deles organizados para fornecer o melhor resultado possível para o ambiente acústico que o indivíduo se encontra, possibilitando diversos ajustes em um só aparelho.
        Dessa forma, é seguro dizer que a tecnologia digitalmente programável supre globalmente as necessidades auditivas do paciente e, além disso, melhora a comunicação e a qualidade de vida do paciente idoso.
 
Texto elaborado pelas Fonoaudiólogas da PróAudi Tânia Ferrari Wallau e Bianca Ten Caten.

Referências:
Próteses Auditivas - Fundamentos Teóricos e Aplicações ClínicasKatia de Almeida e Maria Cecília Martinelli Iorio. Ano: 1996; Editora: Lovise.