(RE) habilitação do Deficiente Auditivo



(RE) habilitação do deficiente auditivo
 
O déficit auditivo pode causar prejuízo na aquisição e desenvolvimento da linguagem oral, que varia conforme o tipo e grau da perda auditiva. Com o avanço da tecnologia, pesquisas revelam que crianças com perdas auditivas ou com alguma dificuldade na audição, podem adquirir habilidades de linguagem similar às crianças com audição normal, se o diagnóstico e a intervenção forem feitas precocemente. 
A intervenção fonoaudiológica na deficiência auditiva fundamenta-se na utilização da audição residual com o auxilio de dispositivos eletrônicos, como o Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI), proporcionando ao Deficiente Auditivo (DA) receber a maior quantidade possível de informação acústica dos sons da língua, favorecendo o desenvolvimento da sua linguagem oral e conseqüente aprendizagem.
O trabalho com o DA é enfático no treino das habilidades auditivas. Didaticamente dividem-se as habilidades auditivas em: detecção, discriminação, reconhecimento(identificação) e compreensão. Essas habilidades são acompanhadas de atenção e memória auditiva, fundamentais para o desenvolvimento da função auditiva. A detecção pode ser entendida enquanto a habilidade de perceber a presença e ausência do som. A discriminação pode ser descrita enquanto a apresentação de respostas diferenciais diante de características específicas do estímulo sonoro. Diferenciar dois ou mais estímulos. O reconhecimento auditivo vai depender do contato do indivíduo com o evento. Habilidade de identificar o som e a fonte sonora com capacidade de classificar ou nomear o que ouviu. A compreensão pode ser descrita pelo estabelecimento de relações entre o estímulo sonoro produzido, outros eventos do ambiente e o próprio comportamento. A memória auditiva pode ser descrita pelas relações de controle do comportamento de um organismo por estímulos sonoros que já não estão presentes.
A criança DA pré-lingual (DA instalada antes do desenvolvimento da fala/linguagem) é desprovida de memória auditiva e tem sua linguagem oral severamente comprometida. Nestes casos devemos respeitar as etapas das habilidades auditivas. Essas habilidades são trabalhadas separadamente ou numa mesma atividade no ambiente terapêutico. Essas crianças têm progresso mais lento que as crianças pós-linguais (DA instalada após o desenvolvimento da fala/linguagem). Indicando, a necessidade do acompanhamento, educação e treinamento efetivo durante a habilitação.
A reabilitação auditiva da criança com DA pós-lingual pode ser considerada a mais fácil, ou menos difícil. Como o paciente tem memória auditiva, o paciente, seguindo a proposta terapêutica é capaz de associar o estímulo sonoro a sua fonte ou a fala à produção articulatória pela leitura oro-facial. No trabalho com a criança com DA pós-lingual seguimos as etapas das habilidades auditivas, porém, não é necessário o trabalho sistemático com a detecção e identificação, principalmente dos sons ambientais. Porém, em alguns casos, faz-se necessário o trabalho de todas as habilidades quando para os sons de fala.
Contudo, todos os pacientes, independente da época de instalação da DA, dependem, para que seus resultados sejam positivos, da eficácia do treinamento auditivo formal e do engajamento nas atividades orientadas fora do ambiente terapêutico.
 
 Texto elaborado pela Fonoaudióloga da PróAudi, Sabrine Miranda, CRFa 7 9642.
 
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