Tontura e Labirintite: sintomas, causas e tratamento



                                         Tontura e Labirintite: sintomas, causas e tratamento

            Tontura é o termo que representa genericamente todas as manifestações de desequilíbrio, é uma ilusão de que existe um movimento, sem que haja um movimento real. Pode ser como uma instabilidade, desequilíbrio, sensação de queda, desvio da marcha ou uma flutuação.
            Segundo o site ABC da saúde, as tonturas estão entre os sintomas mais frequentes em todo o mundo e são de origem labiríntica em 85% dos casos. Entretanto, em casos mais raros, as tonturas podem ser de origem visual, neurológica ou psíquica.
             Quando a tontura possui características rotatórias, denomina-se vertigem. A vertigem é o tipo mais frequente de tontura. O paciente sente-se girando no meio ambiente ou o ambiente gira a sua volta.
            Já a labirintite, ou seja, “labirintopatia” que quer dizer “doença do labirinto”, é uma enfermidade de rara ocorrência, caracterizada por uma infecção ou inflamação no labirinto. O termo é utilizado de forma equivocada para designar todas as doenças do labirinto, popularmente utilizado como sinônimo de qualquer sintoma relacionado a doenças que afetam o nosso equilíbrio ou audição como: mal estar, tontura, vertigem, desequilíbrio, flutuação ou zumbido. Os sintomas costumam piorar com o estresse, movimentos bruscos da cabeça, em lugares lotados, ao utilizar o computador no escuro ou durante a menstruação.      Cerca de 40% dos casos de tonturas se devem a doenças do aparelho vestibular, 10% são devidos a lesões cerebrais, 15% a distúrbios psiquiátricos, 25% não são verdadeiramente tonturas, mas sim pré-síncopes e desequilíbrios, e 10% são de origem indeterminada.
            As causas são numerosas, dentre elas os traumatismos de cabeça e pescoço, infecções (por bactérias ou vírus), drogas ou medicamentos, erros alimentares, tumores, envelhecimento, distúrbios vasculares, doenças metabólicas, anemia, problemas cervicais, doenças do sistema nervoso central, alergias, distúrbios psiquiátricos, etc.
            As doenças que comprometem o labirinto são mais frequentes nos adultos, mas podem estar presentes também na criança. Recentemente, temos nos deparado com pacientes cada vez mais novos, queixando-se de tontura, zumbido e perda de audição. Isto provavelmente se deve ao nosso atual estilo de vida, alimentação, exposição a ruído, etc.
            É incomum a criança queixar-se espontaneamente de tontura ou zumbido. Frequentemente, a mãe é quem percebe que algo não vai bem: a criança passa a isolar-se, evita algumas situações que necessitem do equilíbrio corporal mais elaborado (não gosta de andar de bicicleta, pular corda, brincar de amarelinha, etc.), tem medo do escuro ou de altura, queixa-se de dor de barriga frequentemente (sem outras causas que expliquem essas dores), “falta de atenção” e dificuldade escolar, etc. Assim, devemos ficar atentos se a criança tiver dificuldade de realizar ou evitar as atividades que outras crianças da mesma idade gostam ou realizam com facilidade. Se houver alguma suspeita, procure o auxílio de um especialista.
             Tonturas, vertigens e desequilíbrio são sintomas comuns relatados por pacientes no consultório médico, Esses são sintomas que podem resultar de uma desordem no sistema vestibular periférico (disfunção dos órgãos do equilíbrio do ouvido interno) ou do sistema vestibular central (disfunção de uma ou mais partes do sistema nervoso central que ajuda a equilibrar o processo e a informação espacial). Existem mais de um tipo de distúrbio vestibular, os mais comumente são:
  • vertigem postural paroxística benigna: breves e repentinos episódios de vertigem e/ou enjôo aos movimentos da cabeça.
  • doença de Ménière: crises vertiginosas, diminuição da audição, sensação de pressão no ouvido.
  • neurite vestibular: Vertigem aguda, intensa e prolongada, com náuseas e vômitos. Pode ser de origem inflamatória ou infecciosa (viral).
  • Doenças do ouvido médio e/ou tuba auditiva: Vertigens, zumbido e/ou diminuição da audição podem ser causados por obstrução da tuba auditiva e otite média.
  • Cinetose (mal do movimento): não é uma doença, mas ocorre devido a uma sensibilidade aumentada a alguns movimentos. A pessoa com cinetose tem intenso desconfroto, vertigem, náusea e às vezes vômito. Quando enjoamos em um navio ou automóvel, isso resulta do conflito de informações entre os sensores. Algumas pessoas são mais sensíveis a esse conflito de informações. Quando estamos lendo em um automóvel em movimento enjoamos mais, porque nossos olhos, fixos na leitura, não colaboram com os labirintos na informações relacionadas com o movimento do automóvel.
  • Surdez súbita e vertigem: A perda auditiva, habitualmente, surge em um dos ouvidos e pode ter diferentes causas, como infecções por vírus, traumas cranianos ou acústicos, doenças autoimunes, vascular, tumores, etc. Tonturas de vários tipos podem ocorrer. A crise vertiginosa típica com náuseas e vômitos é comum.
  • Esclerose Múltipla: É uma afecção crônica e progressiva, de causa desconhecida, do sistema nervoso central. Vertigem súbita, com ou sem perda da audição, súbita ou não, e/ou zumbido podem ser os sintomas iniciais. Tontura e desequilíbrio são mais comuns do que a perda auditiva.
                Enfim, existem dezenas de doenças e/ou distúrbios labirínticos e cada uma delas tem características próprias que exigem formas especiais de tratamento.
            Semelhante ao zumbido, a investigação das causas da tontura é fundamental para um tratamento adequado, o que implica, muitas vezes, na realização de diversos exames complementares (sangue, urina, radiológico) ou avaliações em outras áreas médicas. Exames que avaliam a audição e equilíbrio são frequentemente solicitados, além dos exames laboratoriais. Por vezes, dependendo do caso, realiza-se a complementação da investigação com exames de potenciais auditivos, otoemissões acústicas, processamento auditivo central. O tratamento adotado deve estar de acordo com cada uma das causas identificadas no paciente.
            O tratamento sintomático consiste em aliviar a tontura. Para tanto, são utilizados medicamentos que melhoram o fluxo sangüíneo do ouvido, antioxidantes, antidepressivos, anticonvulsivantes, etc. A escolha da medicação depende de cada caso (idade, doenças e sintomas associados, etc.). Nenhuma medicação é isenta de efeitos colaterais, dessa forma, deve-se evitar a automedicação. É importante lembrar que o tratamento sintomático é capaz até de eliminar os sintomas, mas estes podem voltar se suas causas não forem tratadas.
            A reabilitação vestibular é uma das formas de tratamento e pode ser utilizada como tratamento único ou em associação com medicamentos. Sob a orientação de um profissional especializado, são realizados exercícios com o intuito de “reabilitar” (“treinar”) o labirinto aos movimentos, restabelecendo o equilíbrio. Às vezes, apesar de todo o esforço, a causa da tontura pode ser de difícil controle. Nestes casos, a reabilitação vestibular é útil, com ótimos resultados, sem que haja necessidade de aparelhos ou locais especiais para sua realização. Saber o que está causando a labirintite é fundamental para alcançar um controle adequado da doença
            A labirintite é um distúrbio que causa tontura, vertigem e sensação de desmaio, que nem sempre tem cura, por isso para evitar as crises de tontura da labirintite, recomenda-se ter alguns cuidados como mover-se lentamente, evitando movimentos bruscos e evitar locais com muita luminosidade, evitar assistir filmes em 3D no cinema ou jogos eletrônicos, evitar muitos estímulos visuais, como ver fogos de artifício, evitar locais muito barulhentos, evite fumar e beber bebidas alcoólicas ou estimulantes, como café, chá preto ou coca-cola.
 
Texto elaborado pela Fonoaudióloga da PróAudi, Ana Paula Bettinelli.

Referências Bibliográficas:
BERTOL, Eduardo; RODRIGUEZ, Carlos Arteaga. Da tontura a vertigem: uma proposta para o manejo do paciente vertiginoso na atenção primária. Rev. APS, Vol. 11, n.1, 2008.
PINHEIRO, Pedro. Tontura e Vertigem: causas e sintomas. Rev. MD Saúde, 2010
RUNNERS, Copacabana. Labirintite. s.d. Disponível em http://www.copacabanarunners.net/labirintite.html em 8 de julho de 2009.
SILVA, André Luis dos Santos; CAVASSIN, Camila.  Equilíbrio, vertigem e você.