ENTENDENDO O AUTISMO: CARACTERÍSTICAS DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO



ENTENDENDO O AUTISMO: CARACTERÍSTICAS DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO
 
Para compreendermos sobre a linguagem no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e as intervenções necessárias, é imprescindível conhecer aspectos gerais conceituais e entender as características de pessoas com TEA. Atualmente se entende melhor sobre este assunto e talvez por isso as pesquisas mostram dados de grande incidência epidemiológica, uma vez que houve ampliação de critérios diagnósticos, modificação de terminologias, além de outros fatores de identificação e influência. 
A nova versão do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtorno Mentais (DSM-2013) modificou a forma de classificação dos Transtornos Globais do Desenvolvimento, integrando tudo numa só denominação. O autismo foi melhor definido como TEA, com uma série de descrições de sintomas, sendo classificado em 3 níveis: Leve, Moderado ou Grave.
Acredita-se que os novos critérios venham auxiliar os profissionais que pesquisam, avaliam e tratam crianças com distúrbios do desenvolvimento, a fazer um diagnóstico mais preciso, com tratamentos mais adequados. Desta forma, as modificações do TEA passam a englobar diferentes síndromes caracterizadas por desordens do desenvolvimento. O TEA passa a ser então, uma condição geral para um grupo de desordens complexas do desenvolvimento do cérebro.
Assim, sendo o TEA um transtorno do neurodesenvolvimento, ele é caracterizado por dois grandes critérios:
Dificuldades na interação social e comunicação;
Padrões de comportamentos, interesses e atividades restritas e repetitivas.
Cada pessoa com autismo tem características próprias, podendo ter alguns sinais mais comuns, que podem ser percebidos no ambiente social, na família e na escola. Porém temos que ter muita atenção e cuidado, pois fazer um diagnóstico de autismo não é tão simples, uma vez que não há exames objetivos que o identifique especificamente. O diagnóstico é essencialmente clínico, podendo ser realizado exames complementares para descartar outras alterações, como exames auditivos, por exemplo.
O atraso de linguagem e fala não é necessariamente o primeiro sintoma que se observa, mas quase sempre é o mais percebido pelos pais e é por esta queixa que procuram ajuda. Os problemas de comunicação são bem variáveis, em relação às dificuldades e habilidades. Alguns podem ser completamente incapazes de falar enquanto que outros podem ter vocabulário desenvolvido e podem falar sobre vários assuntos de seu interesse.
Embora consigam ter boa pronuncia de palavras, a maioria tem dificuldades em utilizar a linguagem de uso funcional (pragmática) como: podem não saber o que dizer, como dizer e quando dizer, principalmente no momento de interação social. O contexto do assunto ou informação é difícil de ser expressado. Muitos repetem o que ouvem (ecolalia) ou o que ouviram; alguns apresentam alterações de prosódia, com entonação e velocidade da fala alterados, usando uma voz mecanizada como se fossem robôs; outros podem falar como se cantassem. Algumas vezes ocorre a inversão pronominal, usando “ele” ao invés de “eu”. Também pode haver rigidez na compreensão de alguns significados, como por exemplo, dificuldade e compreender piadas, metáforas, expressões de duplo sentido.
Entre tantos outros sinais que estão relacionados com a comunicação é comum a falta de contato visual durante as situações de conversação, dificuldade de atenção compartilhada, dificuldade para jogos sociais, dificuldade de expressar suas vontades, inclusive pelos gestos ou mímica. Quase sempre quando querem atingir um objeto ou algo similar, pegam a mão ou braço do adulto para direcionar ao seu objetivo. Para a grande maioria a linguagem não tem uma verdadeira função de comunicação com o outro. Normalmente agem como se não escutassem.
O diagnóstico e a intervenção precoce são fundamentais. Deste modo, sendo a Fonoaudiologia a ciência que tem como objeto de estudo a comunicação humana, é bom estarmos atentos quando a comunicação das crianças estiver comprometida, ou seja, caracterizada por desenvolvimento atrasado da linguagem e/ou por dificuldades de iniciar e manter conversas e/ou por uso estereotipado e repetitivo da linguagem (repetir sempre as mesmas palavras ou frases), pois podemos estar diante de um quadro do espectro do autismo.
Embora haja muitos estudos e pesquisas, ainda não há definições de cura ou de prevenção do autismo. A única certeza que temos é a necessidade de sabedoria em entender que muito se pode ajudar para minimizar os sintomas.
Um dia de comemoração para conscientização sobre o TEA é muito importante, pois as pessoas precisam ter mais conhecimento sobre o assunto, para compreender melhor as especificidades de alguém com este transtorno e que esta condição é a forma dele ser, não tendo absoluto controle sobre isto. Desta forma, podemos ver acontecer então a INCLUSÃO verdadeira. Por fim, este dia de conscientização pode servir também como alerta para que o diagnóstico e as intervenções precoces aconteçam.

Texto elaborado pela Fonoaudióloga Marisa Fucillini- CRFª 7 - 3927
Tendo como referências:
Suas experiências profissionais e estudos na área.
Sua formação em cursos de aperfeiçoamento sobre o Autismo – Pelo Instituto Nacional Saber Autismo. Professora Drª Maria Claudia Brito.
Suas participações em Congressos Nacional – CONEFAU- Congresso Nacional Online em Educação Escolar e Familiar em Autismo. Vários Palestrantes.
Sua Formação pela NeuroSaber no curso de aperfeiçoamento PITE – Programa para Inclusão do TEA na Escola. Vários Professores.
Manual de Diagnóstico e Estatística do Transtornos Mentais. DSM – 5 – 2013- Artemed  - 5ºEdição.