VOZ DOS PROFESSORES E DICAS DE HIGIENE VOCAL



VOZ DOS PROFESSORES E DICAS DE HIGIENE VOCAL
 
A voz, em determinadas profissões, representa um dos principais instrumentos de trabalho e entre elas está a docência. Comportamentos abusivos como falar durante muito tempo, falar em forte intensidade para superar o ruído da sala de aula, postura inadequada, padrão respiratório incorreto, pouca hidratação, uso de pastilhas para a garganta, etc., são características frequentemente encontradas entre os professores e que podem levar ao surgimento de disfonias.
Os sinais mais comuns referidos pelos professores durante ou após o uso de sua voz são: esforço ou cansaço ao falar; sensação de aperto ou “bolo” na garganta; dor na nuca, ombros e pescoço; rouquidão oscilante ou temporária; diminuição da intensidade da voz (falar mais fraco); escape nasal excessivo; perda do controle da intensidade (forte e fraco) ou altura (grave ou agudo) da voz; soprosidade na voz.
A voz rouca no adulto, ocorre em função do maltrato da laringe, seja por lutar contra o enrouquecimento, seja em decorrência de um comportamento hiperativo. Segundo alguns autores, a rouquidão é uma disfonia com ou sem inflamação das pregas vocais. Frequentemente é consequência de um estado inflamatório ou de uma má utilização da voz. As pregas vocais encontram-se vermelhas, estiradas, espessadas, se contraem mal e falta tensão. As vibrações são por vezes alteradas. A pessoa sente estiramentos e o desejo de pigarrear frequentemente. Exemplo característico de rouquidão ocorre nos nódulos vocais, hiperemias e edemas.
A voz é um dos principais instrumentos de trabalho dos professores e, assim, estará cumprindo sua função quanto melhor for projetada e quanto mais adequada for sua intensidade. No entanto, essa projeção adequada ao ambiente de trabalho exige adaptações corretas para que não ocorram prejuízos dos órgãos fonoarticulatórios.
Segue abaixo algumas dicas de higiene vocal, que podem ser seguidaqs por qualquer profissional de voz, no sentido de evitar disfonias e esforço desnecessário do trato vocal:
  • Beber, pelo menos, 2 litros de água - hidratação é fundamental para a saúde em geral;
  • Evitar ambientes com ar condicionado, pois ressecam a mucosa das pregas vocais. Neste caso, deve-se intensificar a hidratação;
  • Não gritar sem suporte respiratório;
  • Evite tossir ou pigarrear excessivamente, pois isto provoca um atrito intenso nas pregas vocais, podendo feri-las. Como mecanismo de proteção há um aumento do muco para protegê-las do impacto, isso se torna um ciclo vicioso, pois a secreção atrapalha a emissão vocal, forçando o indivíduo a pigarrear novamente. O melhor é controlar a vontade de pigarrear e aumentar a hidratação;
  • Evite falar excessivamente durante quadros gripais ou crises alérgicas, pois o tecido que reveste a laringe está inchado e o atrito das pregas vocais durante a fala passa a ser de forte agressão. Deve-se falar o mínimo possível nessas ocasiões e beber água em abundância;
  • Não converse ou grite durante a prática de exercícios físicos. Qualquer exercício de esforço muscular junto com a fala irá provocar sobrecarga na laringe;
  • Não fume e evite falar muito em ambientes de fumantes. O cigarro é altamente irritante às mucosas do trato vocal, além de ressecá-las e dificultar sua vibração. É considerado um dos principais fatores desencadeantes de câncer na laringe;
  • Evite consumo excessivo de bebidas alcoólicas. O álcool tem efeito anestésico que mascara a dor de garganta, propiciando abusos vocais sem ser percebidos;
  • Não consuma balas ou pastilhas fortes/refrescantes quando estiver com a garganta irritada. Isso mascara o sintoma e a pessoa tende a forças mais a voz sem perceber. Quando o efeito da bala passa, a irritação na garganta aumenta;
  • Evite cantar inadequada ou abusivamente e fazer parte de corais sem preparo vocal. Cantar é um ótimo exercício laríngeo, mas o indivíduo precisa ter preparo e técnicas vocais, caso contrário podem surgir sérias alterações vocais;
  • Alimentação com excesso de condimentos trazem azia, má digestão e refluxo de secreções gástricas, que podem banhar as pregas vocais causando irritações nas mesmas. A maçã e o salsão são recomendados pois são adstringentes, deixando a saliva menos espessa. Já os derivados do leite e chocolate engrossam a saliva, dificultando a articulação das palavras e a vibração das pregas vocais;
  • Após fazer uso excessivo da voz, faça repouso vocal, descanse e relaxe, a fim de poupar sua voz.
Esteja atento aos sintomas de alteração vocal como cansaço, ardor ou dor ao falar, falhas na voz, mudança de tom, pigarro e rouquidão. Caso haja persistências de alterações vocais, procure um Fonoaudiólogo ou um médico Otorrinolaringologista.
 
Texto elaborado pelo Fonoaudiólogo da PróAudi, Eduardo da Rosa Sost, CRFa 7 9534.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FERREIRA, Lélie P.; COSTA, Henrique Olival. Voz ativa: falando sobre o profissional da voz. São Paulo: Roca, 2000.
SOARES, Elisângela Barros; BRITO, Carla Maria Cavalcanti. Perfil vocal do guia de turismo. Revista CEFAC, São Paulo, v. 8, n. 4, out/dez, 2006.
DINVILLE, Claire. Os distúrbios da voz e sua reeducação. Rio de Janeiro: Enelivros, 2001. 302 p. 2. Ed. -2001.)
BEHLAU, Mara; DRAGONE, Maria Lúcia Suzi-gan; NAGANO, Lúcia. A voz que ensina: o professor e a comunicação oral em sala de aula. Rio de Janeiro: Revinter, 2004.