Audição dos educadores físicos: ruído nas academias



Audição dos professores físicos: Ruído nas academias
 
Os educadores físicos são os profissionais que auxiliam na promoção da saúde da população, através do incentivo da prática de exercícios físicos. Grande parte destes profissionais atuam em academias de ginástica, sendo que neste local o uso de música é um item indispensável para tornar o ambiente mais agradável e estimulante para a execução dos exercícios. No entanto, a exposição aos níveis de pressão sonora exacerbados e por um longo período são nocivos ao sistema auditivo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) os níveis sonoros acima de 85 dB, por um período maior que 8 horas por dia, é prejudicial a nossa audição. Assim sendo, nas academias, o uso de fones de ouvido, caixas de som ou até mesmo o ruído causado pelos equipamentos de musculação, podem prejudicar a nossa audição. Em pesquisas realizadas em academias de ginástica em Niterói (RJ) foram apontados que os níveis de pressão sonora variaram entre 101,4 db e 125,4 db. Em estudo semelhante em Florianópolis (SC), 86% das academias obtiveram os valores médio de ruído acima de 85 dB.
Como evidenciado nas pesquisas descritas acima, nota-se que, em sua grande maioria, as academias apresentam níveis de pressão sonoro elevados. Como consequência, o profissional de educação física (que fica exposto por várias horas nessa situação), pode desenvolver uma Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR), que se caracteriza como uma lesão IRREVERSÍVEL que afeta as frequências altas da nossa audição (som agudo).
Além da PAIR, a exposição a ruídos pode causar zumbido (chiado no ouvido), sensibilidade aos sons e dificuldade de entender a fala. Outras alterações como insônia e transtornos da comunicação, neurológicos, vestibulares, digestivos, comportamentais, cardiovasculares e hormonais também podem estra ligados à exposição à sons de altas intensidades.
A melhor forma de evitar estes problemas é através da prevenção. Pequenas atitudes como a diminuição do volume das músicas (tanto nas caixas de som como nos fones de ouvido) e uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) já auxiliam na diminuição dos efeitos prejudiciais da exposição aos sons altos. Também, é de suma importância a realização de exames auditivos periódicos, realizados por um Fonoaudiólogo, no caso de exposição ao ruído ou queixa auditiva.
Hoje, dia 25 de abril, é celebrado o Dia Internacional da Conscientização sobre o Ruído. Entre as 14h25min e 14h26min serão realizados 60 segundos de silêncio, a fim de destacar o impacto do ruído em nossas vidas. O tema da campanha deste ano é a Legislação sobre a poluição sonora: O legal do som – para que a diverSÃO não vire perturbaSOM.
Assim sendo, os profissionais de educação física devem repensar o conceito de qualidade de vida que podem estar transmitindo às pessoas, pois a saúde e o bem estar do ser humano também dependem da Audição.
 
Texto elaborado pela Fonoaudióloga da PróAudi, Bianca Knapp Ten Caten, Crfa 7 10125.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
MARCON, C. R.; ZANNIN, P. H. T. Avaliação do ruído gerado por academias de ginástica. Revista Engenharia e Construção, Curitiba, 2004.
PALMA, A. et al. Nível de ruído no ambiente de trabalho do professor de educação física em aulas de ciclismo indoor. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v 43, n. 2009
ZUCKI, F. Percepção de estudantes, profissionais e coordenadores de graduação em educação física sobre o ruído em sua profissão, Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção - UFSC. Florianópolis - Santa Catarina, 2005.