Perda auditiva unilateral: conceitos básicos e causas



Perda auditiva unilateral: conceitos básicos e causas
 
Nossa audição é binaural, isso significa que os sons que chegam em nossas orelhas integram-se e se complementam na via auditiva central para que a escuta fique melhorada, principalmente em ambientes ruidosos. Portanto, quando há comprometimento da audição em um lado, sem restrição da audição contralateral, temos a Perda Auditiva Unilateral (PAun).
As principais queixas de quem tem PAun estão relacionadas ao processamento auditivo central, uma vez que ela interfere na localização sonora, a integração binaural fica deficitária e é necessário com isso, um esforço maior do ouvinte para entender e discriminar os diferentes sons. Em crianças, pode afetar o desenvolvimento social, da linguagem, fala e da aprendizagem. Por isso, é fundamental que as crianças que passam pela Triagem Auditiva Neonatal (Teste da orelhinha) e são indicadas ao acompanhamento, o façam.  
O exame auditivo nesses casos, principalmente, deve ser realizado com cautela pela integração binaural e efeito sombra da cabeça, ou seja, durante a avaliação, o examinador deve utilizar de métodos específicos para isolar a via auditiva acometida e ter um resultado fidedigno em relação a audição de cada lado. Procure sempre um profissional capacitado e um serviço de referência na área auditiva para realizar a avaliação com segurança de resultados confiáveis.
 A PAun é um desafio para a área da audiologia, desde o diagnóstico, até a conduta, uma vez que esse quadro é menos frequente na clínica e pode estar associado a alguma patologia. Sua etiologia será definida pelo médico otorrinolaringologista, com auxílio de exames auditivos (realizado pelo médico ou Fonoaudiólogo), de imagem e genéticos, quando for o caso. É importante investigar a causa da alteração, para posteriormente definir a conduta.
As principais causas da perda auditiva unilateral em grande parte são também causas que podem afetar as duas orelhas, dentre elas estão:
  • Origem genética: congênita (presente desde o nascimento), e/ou progressiva (em que a gravidade aumenta com o passar dos anos);
  • Neurinoma do acústico (tumor no nervo auditivo);
  • Malformação de orelha externa média ou interna;
  • Pós ataque vascular cerebral (AVC);
  • Pós Traumatismo Crânio Encefálico (TCE);
  • Alterações neurológicas/centrais;
  • Associada a síndromes;
  • Otite unilateral de repetição, na qual a recorrência das infeções pode afetar a audição permanentemente;
  • Tumores na via auditiva em geral, como o colesteatoma congênito ou adquirido;
  • Otosclerose (alteração na mobilidade do estribo- um dos ossinhos do ouvido);
  • Doença de Meniére- pode apresentar zumbido e afetar também o equilíbrio, além da perda auditiva;
  • Surdez súbita;
  • Idiopática (sem causa definida);
  • Entre outras.
O tratamento será individual e definido conforme a etiologia do quadro. Dentre os tratamentos estão o aparelho auditivo de amplificação sonora individual, o intra-canal de estimulação óssea, o aparelho auditivo do tipo CROSS, o implante coclear e o implante auditivo ancorado ao osso. Há os casos em que cirurgias sem auxílio de equipamentos eletrônicos serão indicadas, ou ainda, a conduta pode ser o acompanhamento e monitoramento auditivo.
Certamente com a avaliação e o acompanhamento de profissionais capacitados, a conduta será a que melhore a qualidade de vida e supra as dificuldades e queixas do paciente.
 
Texto pela Fonoaudióloga da PróAudi, Quemile Pribs Martins.
 
Referências Bibliográficas:
Mondelli MFCG, dos Santos MM, José MR. Speech perception in noise in unilateral hearing loss. Braz J Otorhinolaryngol. 2016; 82:427-32.
Pupo AC, Esturaro GT, Barzaghi L, Trenche MCB. Perda auditiva unilateral em crianças: avaliação fonológica e do vocabulário. Audiol Commun Res. 2016;21:e1695.