Meu filho falhou no Teste da Orelhinha. E agora?



A gestação é um período extremamente especial na vida de uma família, especialmente na dos pais, que se preparam para a chegada do filho, criando expectativas relacionadas ao seu futuro. Assim, o nascimento do bebê gera muitas alegrias e os pais ficam ansiosos para saber se ele é saudável, tal qual era esperado e planejado.

No momento da realização do teste da orelhinha, igualmente, existe uma expectativa em relação ao resultado do exame. Dessa forma, a falha no primeiro teste pode gerar um transtorno que compromete a perspectiva gerada pelos pais.

A Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU), conhecida como teste da orelhinha, é realizada em todos os bebês durante o primeiro mês de vida, para que qualquer perda auditiva apresentada possa ser diagnosticada de forma precoce (preferencialmente até o terceiro mês).

O teste da orelhinha, também chamado de exame de emissões otoacústicas evocadas (EOA) tem como objetivo avaliar a presença/ausência de respostas das células ciliadas existentes na cóclea que é responsável pela audição.

O exame é rápido, não dói e é realizado através da colocação de uma sonda (pequena borracha) na entrada da orelha, que vai emitir um estímulo (som fraco) e captar uma resposta vinda da cóclea.

O resultado do exame pode ser:

  • PASSOU/PRESENTE: quando há presença de emissões otoacústicas evocadas, o que SUGERE boas reservas auditivas.
  • FALHOU/AUSENTE: quando as emissões otoacústicas estão ausentes e SUGERE alteração auditiva/coclear.
No momento da realização do teste da orelhinha, existem alguns fatores que podem influenciar na ausência de respostas ao exame (FALHA), sendo os principais:
  • Presença de vérnix no conduto auditivo (“líquido” que cobre o corpo do bebê ao nascer);
  • Conduto auditivo estreito (pequeno), que pode fechar ou colabar/grudar quando a sonda for introduzida na orelha;
  • Ruído respiratório gerado pelo bebê, que atrapalha a captação das respostas.
Devido a esses fatores, sempre que o bebê falhar no teste, este deverá ser repetido em 15 dias, para que o resultado seja confirmado. Sendo assim, quando o bebê apresenta ausência de respostas no primeiro teste, NÃO SIGNIFICA, necessariamente que tenha perda auditiva.

A triagem auditiva, assim como as demais triagens neonatais, tem como objetivo DETECTAR uma possível alteração existente, identificando quais crianças podem ter alterações auditivas, mas NÃO DIAGNOSTICA em um primeiro momento. 

Caso a criança mantenha a ausência de respostas no reteste de 15 dias, o bebê passará, a critério fonoaudiológico e médico, a outros exames auditivos a fim de que o diagnóstico audiológico seja estabelecido, ou seja, será determinado o tipo (de origem coclear, de condução, neural) e o grau (quanto e o que consegue ouvir) da alteração auditiva e também a existência de outros fatores que possam estar associados ao resultado dos exames (maturação da via auditiva, por exemplo).

O diagnóstico auditivo é realizado por meio de vários exames de audição, visando estabelecer com precisão e de forma segura a audição do bebê, tais como:
- Potenciais evocados auditivos de tronco encefálico (PEATE ou BERA): que objetivam estimar o limiar auditivo eletrofisiológico, auxiliando na mensuração do tipo e grau da perda auditiva apresentada;
- Imitanciometria: para avaliar a orelha média, detectando presença de alterações como otites, que influenciam no resultado do exame e por consequência na conduta a ser tomada;
- Avaliação auditiva comportamental/instrumental: na qual se estabelece por observação, quais instrumentos sonoros são ouvidos e como está a maturação auditiva.

A escolha dos exames a serem realizados, bem como a execução dos mesmos por profissionais experientes é de fundamental importância no diagnostico da perda auditiva, da mesma forma que o contato e interdisciplinaridade entre fonoaudiólogos, otorrinolaringologistas, pediatras e demais profissionais envolvidos. Ainda, deve-se ressaltar que os exames citados sempre serão analisados de forma conjunta e que um complementa o resultado do outro, não existindo, assim, um teste único de escolha.

Sabe-se que a falha no teste da orelhinha é um fator que gera angústia aos pais, e várias dúvidas surgem, afinal, FALHAR NO TESTE NÃO É NORMAL, porém NÃO significa necessariamente a presença de deficiência auditiva permanente.

Por isso, sempre que surgirem dúvidas em relação aos exames realizados, entre em contato com o fonoaudiólogo, ele poderá lhe orientar da melhor forma.
 
Texto elaborando pela Fonoaudióloga da PróAudi, Catarine Signori.
 

REFERÊNCIAS
 
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